‘A Preta Gertrudes’: Romance do desembargador Marcos Cavalcanti é adaptado para o teatro

A obra retrata a batalha judicial da paraibana escravizada e alforriada

 

Lançado em dezembro do ano passado, o primeiro romance do desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque, intitulado ‘A Preta Gertrudes’, foi adaptado para o teatro. A obra histórico-jurídica retrata a batalha judicial da paraibana escravizada e alforriada, para evitar que fosse vendida ilegalmente em praça pública, como pagamento de uma dívida. O fato aconteceu no século XIX, em Paraíba do Norte (João Pessoa).

 

A adaptação, que ganhou o título ‘O Julgamento da Preta Gertrudes’, é uma peça em um único ato, com três partes e cada parte com duas cenas. Além da própria Gertrudes e do Índio Kauê, com quem teve um relacionamento amoroso, a apresentação teatral traz, ainda, as personagens do Frade (Frei João da Encarnação), do Velhaco (Carlos José da Costa), do Juiz de Fora, de fiéis depositários, desembargadores, entre outros. O prefeito, o escrivão, o carcereiro, grupo de Índio, e o primeiro fiel depositário participam como figurantes.

 

Segundo o desembargador Marcos Cavalcanti, que é diretor da Escola Superior da Magistratura (Esma), alguns amigos e colegas solicitaram que ele adaptasse o romance para uma peça de teatro. “É um trabalho difícil, em que precisei fazer uma releitura da obra. Saímos da ficção do romance para o teatro, terminando com o julgamento de Gertrudes no Tribunal, assim como foi no livro”, disse o autor.

 

Ao fazer um paralelo entre escrever um livro e adaptar a obra para o teatro, o desembargador Marcos Cavalcanti ressaltou que é necessário dar ainda mais vida às personagens. “Para qualquer autor, é uma emoção muto grande ver sua obra sendo interpretada nos palcos. É a certeza de que foi bem aceita pelos leitores”, afirmou o diretor.

 

A Preta Gertrudes A ‘Negra do Tabuleiro’, como era chamada, vendia frutas, verduras e o que mais lhe permitiam. Com cerca de 30 anos, Gertrudes Maria não quis ser vendida em praça pública e, para que isso não acontecesse, travou uma guerra judicial pela própria liberdade.

 

Ela teve que se opor a um embargo de penhora contra seu senhor, iniciado em 1828, que colocou em risco a sua liberdade parcial. Seu grande feito foi o de não ter se posicionado de forma passiva e de ter procurado de imediato o auxílio de advogados em sua defesa. Naquela época, não era comum às mulheres ou aos homens escravizados contratarem advogados ou serem representados por eles.

 

Gertrudes chegou a ser presa. Para conseguir a liberdade de volta, solicitou um novo responsável, o tenente Modesto Honorato Victor. Quatro meses depois, em abril de 1841, o mesmo credor entrou com uma ‘Ação em Juízo’ na tentativa de vender Gertrudes e os filhos dela em praça pública para receber a dívida, sendo estas as últimas informações registradas sobre o caso.

 

Por Marcus Vinícius