A depressão e o suicídio em tempos de pandemia foram debatidos em webinário

Durante duas horas, quase 200 inscritos, entre magistrados e servidores do Poder Judiciário estadual, participaram de debate e reflexão sobre depressão e suicídio, através do Ciclo III do Webinário Saúde Mental e Trabalho no Poder Judiciário. O evento abordou, na ocasião, o tema ‘Depressão e Suicídio em Tempos de Pandemia’, e foi transmitido pela plataforma Zoom e pelo canal da Escola Superior da Magistratura (Esma) no YouTube.

A temática foi ministrada pelo médico Islan da Penha Nascimento e pela psicóloga Lúcia Souto. O evento teve como mediadora a coordenadora de Saúde Mental da Gerência de Qualidade de Vida do Tribunal de Justiça da Paraíba, Maria da Penha (Gevid), e participação da gerente do setor, Valéria Beltrão.

O professor Germano Ramalho, gerente Acadêmico e de Formação e Aperfeiçoamento de Servidores da Esma, fez a abertura dos trabalhos. Segundo o docente, o tema em debate precisa de muito cuidado e para tratá-lo, há necessidade de muita sensibilidade. 

Em seguida, a gerente da Gevid, Valéria Beltrão, agradeceu a direção da Esma pela parceria firmada na realização desses webinários, bem como ressaltou que esses eventos são sempre voltados para discussão de temáticas que favorecem a promoção da saúde mental. “A Gevid tem um propósito de cuidar da saúde dos magistrados e servidores, gerando qualidade de vida no ambiente de trabalho.”, disse a gerente.

Os expositores apresentaram nos debates definições sobre depressão e suicídio, fatores de riscos, intervenção, características, a importância da espiritualidade, sintomas e sinais de alerta em relação ao assunto, bem como as melhores práticas de terapia e orientações sobre cuidados e atitudes que podemos ter para prevenir e tratar o problema.

O médico Islan Nascimento destacou que a temática tem a ver, diretamente, com o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio e suas relações com a saúde mental. “Quando a gente fala em suicídio, estamos falando de um sentimento que não é a vontade de perder à vida. Na realidade, é a vontade de acabar com uma dor ou um sofrimento que parece ser maior que a própria pessoa”, disse o palestrante.

Ainda segundo o médico, a pessoa que passa tal situação de resolução da dor (pensamento suicida), muitas vezes não tem apoio de pessoas que deveriam dar esse suporte, bem como falta vontade ao mesmo em buscar apoio. “Mais de 800 mil pessoas tiram a vida por ano, além disso é a segunda maior causa de mortes entre os jovens de 15 a 29 anos”, afirmou o conferencista, acrescentando que, nos últimos 40 anos a taxa de suicídio aumento em 60% no mundo.

Conforme dados apresentados, no Brasil, a maioria das tentativas de suicídios entre 2011 e 2016 ocorreu entre as mulheres.

A psicóloga Lúcia Souto ressaltou que tratar da saúde mental é algo extremamente necessário, mas que ainda é desvalorizado pela sociedade, sendo deixado em segundo plano. “Essa temática ainda é um verdadeiro tabu, por falta de conhecimento e interação com o assunto.’, disse a psicóloga.

Lúcia Souto destacou que as pessoas sob risco de cometer suicídios são: isoladas socialmente, têm doenças psiquiátricas, fazem o uso de álcool e o uso abusivo de substâncias, são ansiosas, mudam de personalidade e já tentaram suicídio anteriormente.

Logo em seguida, os palestrantes responderam às perguntas encaminhas pelos inscritos.

Por Marcus Vinícius