Magistrados debatem diversos aspectos relacionados ao novo CPC

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Fonte: http://www.caldeiraodochico.com.br/categoria/colunas/onaldo-rocha-queiroga/

Entrou em vigor nesta sexta-feira (18) o novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/15), e buscando debater diversos aspectos relacionados à nova legislação, no direito processual civil, com
aplicação direta ou subsidiária à maioria dos processos judiciais, a Escola Superior da Magistratura (Esma) promoveu uma oficina para debater com magistrados do Judiciário estadual a respeito da temática do ‘Novo CPC e do Direito Intertemporal’.

A oficina foi ministrada pelo juiz da 3ª Vara da Família da comarca de Campina Grande, Fábio José de Oliveira Araújo, na própria sede da instituição de ensino, em João Pessoa. O debate reuniu mais de 40 juízes com atuação, exclusivamente, na área cível do Estado.

No primeiro momento, o palestrante fez questão de ressaltar aos magistrados que hoje, em especial, é um dia de transição. “Estamos passando de um estado pra outro, do estado regulado pelo CPC antigo de 1973 para o estado regulado pelo novo CPC de 2015. Essa mudança traz impacto nos processos que estão em andamento, ou seja, essas ações não foram extintas e nem deixaram de existir de ontem pra hoje”.

Fábio José, que é entusiasta do novo CPC, afirmou que no início a nova legislação vai trazer um certo trabalho redobrado pelos magistrados, no que se diz respeito ao estudo para sua aplicação. “O CPC de 1973 já não representava o momento que a sociedade mundial vive, em especial a brasileira. O novo código cria e estabelece um novo ambiente para discussão do Processo Civil”, ressaltou.

Quanto à questão de dar mais e mais celeridade às ações judicais com a entrada em vigor da Lei nº 13.105/15, o conferencista assegurou que o novo código não veio para acelerar os julgamentos e apreciação dos feitos. “Esse novo Código veio pra trazer instrumentos que vão possibilitar uma purificação do processo, com decisões mais justas e qualificadas, e na medida que esses instrumentos sejam colocados em prática esperamos ter uma duração mais razoável”.

Outro destaque apontado pelo juiz-palestrante Fábio José, sobre a nova legislação, diz respeito à conciliação e à mediação. “O Poder Judiciário não abarca todos os conflitos de uma sociedade gigantesca como a brasileira, de uma sociedade conflituosa e moderna. Então, a ideia é de utilizarmos mecanismos que invistam em soluções consensuais”.

Já em relação ao que restabelece o juízo de admissibilidade dos recursos extraordinário e especial, ele ressaltou que o novo CPC permite a subida automática dos recursos extraordinário e especial ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça, respectivamente.

“Com a mudança empregada pela lei sancionada, os recursos só poderão subir depois de uma análise prévia feita pelos tribunais de origem (estaduais e federais), na pessoa do presidente (que pode delegar ao vice-presidente da corte), tal qual já acontece hoje”, disse o palestrante.

Em Campina – Dando continuidade ao debate entre os juízes sobre a entrada em vigor do novo Código de Processo Civil, acontecerá, no dia 1º de abril, a partir das 10h, uma oficina na Unidade II da Escola, no Fórum ‘Affonso Campos’, na comarca de Campina Grande. Na oportunidade, o juiz Fábio José também ministrará palestra.

Algumas das principais mudanças da Lei nº 13.105/15:

Conciliação

O réu chamado primeiro para a conciliação e depois para defesa. Serão criados centros especiais para conciliação.

Ações Coletivas

Novas decisões devem seguir decisões passadas de qualquer juízo hierarquicamente superior.

Divórcio

Casais podem escolher pela separação ou partir diretamente para divórcio.

Pensão Alimentícia

Prazo de dez dias para pagar dívida de pensão. Caso ultrapasse o prazo, o devedor é preso no regime semiaberto.

Por Marcus Vinícius