A vida de um personagem histórico e sua relação com a terra que o projetou foi o fio condutor do tema da palestra proferida pelo diretor da Escola Superior da Magistratura (Esma) e presidente da Comissão de Cultura e Memória do Judiciário estadual, desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque, em cerimônia comemorativa ao sesquicentenário de nascimento de Rodrigues de Carvalho. O evento foi realizado, nessa sexta-feira (18), no Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (Cejus), no Bairro dos Estados, na Capital.
O desembargador e acadêmico Marcos Cavalcanti abordou o tema “Rodrigues de Carvalho e a Mamanguape dos fins do Século XIX”. Para melhor situar os participantes do evento, o palestrante dividiu a conferência em duas partes: o homem, no caso o homenageado; e a terra (Mamanguape) que o projetou.
“O legado deixado por Rodrigues de Carvalho enche de orgulho a todos nós, paraibanos, e, em particular, o povo de Mamanguape, terra mãe, mesmo que por adoção, deste grande talento que projetou o nosso nome no cenário cultural, jurídico e acadêmico brasileiro”, disse.
Ao discorrer sobre a história de Rodrigues de Carvalho, Marcos Cavalcanti procurou proporcionar aos participantes uma viagem imaginária ao cenário da Paraíba do século XIX, tempo em que o Município de Mamanguape atingiu o seu apogeu econômico e cultural e que, por isso, projetou grandes nomes, a exemplo do homenageado.
Rodrigues de Carvalho nasceu na localidade Tauá (hoje Alagoinha), no dia 18 de dezembro de 1867 e faleceu em dezembro de 1935, na cidade do Recife. Em 1877, aos dez anos de idade, mudou-se para Mamanguape, fugindo da terrível seca que dizimou parte da população nordestina.
O homenageado foi o primeiro paraibano a escrever sobre o folclore. Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará foram os principais estados que serviram como fontes de suas pesquisas.
“Rodrigues de Carvalho foi, também, pioneiro do nosso folclore. É que, além do jornalismo e da poesia, o jurista Rodrigues de Carvalho ainda encontrou tempo para cultivar outra paixão, ou seja, a pesquisa folclórica, tema que muito o atraia e a que se dedicou com afinco, durante parte de sua vida”, comentou o palestrante.
Desde o final do ano passado, o Cejus promove palestras a respeito do jurista, político, poeta e acadêmico Rodrigues de Carvalho. Historiadores, jornalistas, acadêmicos e juristas já discorreram sobre Rodrigues de Carvalho, no Cejus, este ano, dentro das comemorações do sesquicentenário do homenageado.
O evento tem seguimento até o final do ano, segundo informou o coordenador do Cejus, o juiz federal e acadêmico José Fernandes de Andrade.
A palestra do desembargador Cavalcanti contou com a participação de intelectuais do cenário artístico e cultural paraibano, a exemplo do historiador José Otávio de Arruda Melo, da arquivista Ana Isabel de Sousa Leão, da acadêmica Socorro Aragão, do procurador Eitel Santiago, do repórter fotográfico Antônio David, e do professor e artista José Nilton.